sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Dicas Práticas – Escola

Para ler e usar as dicas no dia a dia na escola.

Dica 1 
- Qual foi a última vez que você escutou os seus estudantes sobre o que está funcionando e o que pode melhorar na sua escola ou sala de aula? Quando pensou em perguntar para eles o que não funcionou naquela atividade que você planejou com tanto cuidado, mas não deu o resultado esperado? 
- Realize uma roda de conversa para entender como eles aprendem melhor, o que pensam e querem da escola. Se achar que vale a pena, faça mais de uma roda ou até mesmo uma assembleia, mas estabeleça como regra que todas as críticas devem vir acompanhadas de sugestões de melhoria. 
- Você pode se surpreender com as ideias da garotada. 

Dica 2 
- Sua escola ou sala de aula provavelmente têm deficiências de infraestrutura que você não consegue resolver sem apoio da Seduc. Mas o que seria possível fazer para torná-la um espaço mais acolhedor e vibrante para adolescentes e jovens? 
- Envolva os próprios estudantes na elaboração de projetos de melhoria dos ambientes da escola com investimentos de baixo custo, seja como atividade do seu componente curricular, seja na forma de um concurso voltado para toda a escola. 
- Proponha que cada turma fique responsável por cuidar de um espaço da escola, e todo mês incentive a comunidade escolar a votar naquele que estiver mais bem cuidado. 

Dica 3 
- Existem muitas razões para que você não invista em atividades pedagógicas mais práticas, como falta de tempo, recursos, capacitação, apoio. 
- Mas existe uma razão fundamental para que você vá em frente apesar dos obstáculos: garantir mais engajamento e, consequentemente, mais aprendizagem para os estudantes. 
- Para isso, comece fracionando o seu tempo de aula para intercalar exposição teórica com exercícios, discussões, jogos ou outras atividades mais interativas, de preferência variando a disposição das carteiras na sala de aula. 
- Quando estiver se sentindo mais confiante, tente realizar projetos mais robustos, envolvendo os estudantes no desafio de criar, produzir ou resolver problemas concretos, sempre que possível, utilizando outros espaços da escola e da comunidade. 

Dica 4 
- Se o ambiente está tenso e os conflitos estão aumentando, crie combinados de convivência da escola de forma bem participativa e ainda peça aos estudantes para desenvolverem uma bela campanha de mobilização para divulgá-los para toda a escola. 
- Peças de teatro, vídeos feitos com celular, cartazes publicitários, intervenções criativas na hora do recreio, concursos de música podem ser algumas das peças de comunicação e conscientização criadas pela própria garotada. 
- Também vale criar um conselho de mediação, formado por representantes dos diferentes segmentos da comunidade escolar, para dialogar com aqueles que não respeitarem os acordos coletivos, tentando entender por que descumpriram os combinados e dando oportunidade para que possam rever suas atitudes, inclusive solucionando alguns problemas que tenham provocado. 

Dica 5 
- Para conhecer ainda mais os seus estudantes, aproveite aquela primeira semana de acolhimento para, além de levantar as características pessoais de cada um, também coletar informações sobre seu nível de aprendizagem e como eles acham que aprendem melhor. 
- De posse desses dados, organize uma reunião de Conselho de Classe para compartilhar a situação de cada estudante e planejar atividades de nivelamento, práticas pedagógicas mais diversificadas e estratégias de acompanhamento para evitar que alguém seja deixado para trás. 
- Nesse caso, convide os adolescentes e jovens mais avançados para apoiar colegas com mais dificuldade.

Fonte:

Adolescentes e jovens e a escola

Neste tema, vamos entender melhor a relação dos adolescentes e dos jovens com a escola; como eles veem a escola que têm e como gostariam que ela fosse.

Sobre a escola  
O que os adolescentes e os jovens querem que ela seja para se tornar mais atraente para eles.  
Esses desejos também estão relacionados ao cenário atual em que os adolescentes e os jovens vivem.  

Hoje 
Sabemos que a internet, as redes digitais, as mídias sociais e os dispositivos móveis, como smartphones e tablets, revolucionaram a forma como as pessoas se comunicam, se relacionam, organizam e consomem informação.  

Antes 
Antes, a produção e a distribuição da informação eram um poder exclusivo dos meios de comunicação, da indústria cultural e das organizações privadas e governamentais, que emitiam e veiculavam seus pontos de vista.  

Agora, com a disseminação do acesso às tecnologias digitais da informação e da comunicação (TDICs), esse poder também está na mão da sociedade. A forma de produzir, distribuir e consumir informação mudou radicalmente. Multiplicaram-se as fontes de informação, as pessoas estão conectadas e interagem em tempo real, têm autonomia para produzir e compartilhar seus próprios conteúdos e escolher o que consomem.  

Os adolescentes e os jovens que nasceram nesse contexto digital, a partir do começo do século XXI, convivem e utilizam essas tecnologias o tempo todo. Dessa forma, seu desenvolvimento, sua sociabilidade e seu acesso a atividades culturais, educação ou trabalho, por exemplo, ocorrem de forma muito diferente daqueles de seus pais e avós, que tinham acesso a veículos tradicionais como jornal, rádio e televisão.   

(Fonte: Projeto Faz Sentido – Juventudes e Ensino Médio, p. 22-23. Disponível em: http://fazsentido.org.br/wp-content/uploads/2017/08/20190111_RelatorioEstudoJovem_Fazsentido.pdf. Acesso em: 13 jul. 2019.)  

Para contextualizar a escola nesse novo cenário em que nasceram e vivem os adolescentes e jovens, algumas organizações realizaram pesquisas em busca de respostas sobre a escola em que eles estudam atualmente e a escola que querem.  

Agora, vamos ver um recorte dessas pesquisas!

A escola atual e a escola desejada  
O portal Porvir, por exemplo, realizou a pesquisa nacional Nossa Escola – Relatório 2019, com adolescentes e jovens de 11 a 21 anos, com a seguinte distribuição por faixa etária:  
50%: menores de 15 anos – Ensino Fundamental Anos Iniciais  
46%: 15 a 17 anos – Ensino Fundamental Anos Finais  
4%: 18 a 21 anos – Ensino Médio  

(Fonte: Nossa Escola - Relatório 2019. Disponível em: http://porvir.org/nossaescolarelatorio. Acesso em: 13 jul. 2019.)  

A escola que os adolescentes e jovens têm  
Para avaliar a escola atual ou a última em que estudaram, os participantes foram convidados a dar uma nota de 1 (Tá tenso) a 5 (Tá tranquilo, tá favorável) para 11 itens.  
Veja a média de notas para 6 desses itens.  
Prédio e estrutura – 3.3  
Relação entre estudantes – 3.2  
Relação dos estudantes com professores – 3.3  
Uso de tecnologia – 2.7  
Material pedagógico – 3.3  
Atividades extraclasse – 2.9  

(Fonte: Nossa Escola - Relatório 2019. Disponível em: http://porvir.org/nossaescolarelatorio. Acesso em: 13 jul. 2019.)  

A escola que adolescentes e jovens querem  
Os participantes da pesquisa foram estimulados a pensar em dois tipos de escola, a que os faria aprender mais e a que os faria mais felizes.  
Para cada uma dessas escolas dos sonhos, eles imaginaram seis aspectos: o foco da escola, os conteúdos, a organização curricular, o jeito de aprender, os recursos educacionais tecnológicos e o jeito da sala de aula. Cada aspecto foi desdobrado em vários subaspectos relacionados ao tema.  
Sabemos que os estudantes são singulares e, portanto, não aprendem da mesma maneira. Veja, por exemplo, como eles responderam sobre:

Aprender 
Aprendem mais 
23% com aulas teóricas. 
21% fazendo projetos práticos. 
20% interagindo com a comunidade. 
14% estudando sozinho. 
9% fazendo trabalhos em grupo. 

Ficariam mais felizes 
22% fazendo projetos práticos. 
20% estudando sozinho. 
19% assistindo aulas teóricas. 
15% interagindo com a comunidade. 
11% trabalhando em grupo. 
As demais porcentagens estão pulverizadas em outras opções de respostas.  

Sala de aula 
Aprendem mais 
20% com ambientes e móveis variados, com pufes, bancadas, almofadas e sofás. 
19% quando as carteiras são organizadas em pequenos grupos. 
18% quando podem usar outros ambientes internos e externos à escola. 
13% quando podem mudar a arrumação das carteiras de acordo com a aula. 
12% em salas de aula com carteiras enfileiradas. 

Ficariam mais felizes 
24% com ambientes e móveis variados, com pufes, bancadas, almofadas e sofás. 
20% quando as carteiras são organizadas em pequenos grupos. 
14% quando podem usar outros ambientes internos e externos à escola. 
12% quando podem mudar a arrumação das carteiras de acordo com a aula. 
11% em salas de aula com carteiras enfileiradas. 
As demais porcentagens estão pulverizadas em outras opções de respostas.  

Tecnologia 
Aprendem mais 
27% com o uso de ferramentas de pesquisa on-line. 
14% com games ou jogos educativos. 
14% com robótica e programação. 

Ficariam mais felizes 
23% com o uso de ferramentas de pesquisa on-line. 
19% com games ou jogos educativos 
13% com robótica e programação. 
As demais porcentagens estão pulverizadas em outras opções de respostas.  

Para consultar os resultados completos desses aspectos destacados e ver os resultados dos outros três (foco da escola, conteúdos e organização curricular), acesse a pesquisa no site Porvir.

Sobre os professores e a estrutura física  
A pesquisa também perguntou aos participantes quais as características dos professores que eles mais valorizam e o que não pode faltar em termos de estrutura física na escola que querem.  

Características mais valorizadas do professor 
40%: Saber explicar bem os conteúdos.  
28%: Propor diferentes atividades nas aulas.  
27%: Ser acolhedor e ter uma boa relação com os estudantes.  
27%: Saber estimular o estudante a se questionar e a buscar conhecimentos.  

Estrutura física 
53%: Tecnologia não só no laboratório de informática.  
45%: Quadras e equipamentos esportivos.  
33%: Bastante área verde.  

Observação: Nessas questões, os participantes puderam escolher duas características do professor e três opções relacionadas à estrutura física da escola.  

(Fonte: Nossa Escola - Relatório 2019. Disponível em: http://porvir.org/nossaescolarelatorio. Acesso em: 13 jul. 2019.)

A escola de Ensino Médio  
O movimento Todos pela Educação também fez uma pesquisa nacional, chamada Repensar o Ensino Médio. Mais específica, essa pesquisa foi feita entre setembro e outubro de 2016 com adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que estão no Ensino Médio. Um dos propósitos da pesquisa era colher informações sobre a percepção que eles têm da escola.  

Visão sobre a escola de Ensino Médio  
Os resultados mostram que os estudantes do Ensino Médio estão atentos ao que a escola oferece, em termos de infraestrutura, ensino e valores, e à atuação dos professores. O que se percebe, pelos resultados, é que a escola que os jovens querem deve ter segurança, boa infraestrutura e professores assíduos, além de ser inclusiva para garantir educação de qualidade.

Atributos mais relevantes da escola 
85,2% Segurança.  
83,1% Atenção às pessoas com deficiências.  
81,3% Professores sempre presentes.  
81,2% Boa infraestrutura.  
80% Funcionários bem educados.  
79,6% Comprometimento dos estudantes.  

(Fonte: Repensar o Ensino Médio – Todos pela Educação, 2017.)  

Os estudantes também se posicionam em relação aos atributos que consideram menos satisfatórios da escola. Além de fatores externos, consideram que o seu próprio comprometimento e comportamento nas aulas também podem comprometer a qualidade da escola. Com isso, indicam uma visão de que a educação de qualidade é um compromisso de todos da comunidade escolar.

Atributos menos satisfatórios da escola 
54,6% Aulas de informática.  
29,6% Segurança.  
28,8% Atenção às pessoas com deficiências.  
28,6% Comprometimento dos estudantes.  
28,4% Boa infraestrutura.  
28% Ensino de qualidade da língua inglesa.  

(Fonte: Repensar o Ensino Médio – Todos pela Educação, 2017.)  

Visão sobre o professor de Ensino Médio  
Em relação aos professores, os estudantes consideram como atributos mais relevantes e mais satisfatórios dos professores, aspectos como a paixão pela profissão, a persistência diante das dificuldades dos estudantes, a postura para exigir comprometimento dos estudantes e o foco na preparação para o vestibular, entre outros.

Atributos mais relevantes 
80,9% Gosta do que faz, tem paixão pela profissão.  
79,5% Persistência: não desiste do estudante.  
79,3% Cobra e exige comprometimento dos estudantes.  
78,6% Tem foco na preparação para vestibulares.  
77,6% Estimula a curiosidade do estudante.  
76% Dá exemplos práticos, trazer para o dia a dia.  

(Fonte: Repensar o Ensino Médio – Todos pela Educação, 2017.)  

Atributos mais satisfatórios 
49,9% Gosta do que faz, tem paixão pela profissão.  
44,8% Cobra e exige comprometimento dos estudantes.  
44,5% Tem foco na preparação para vestibulares.  
42,5% Usa linguagem jovem, atual.  
42,3% Persistência: não desiste do estudante.  
40,4% Dá exemplos práticos, trazer para o dia a dia.  

(Fonte: Repensar o Ensino Médio – Todos pela Educação, 2017.)  

Os estudantes consideram que entre os atributos menos satisfatórios dos professores estão aqueles relacionados principalmente à dinâmica em sala de aula e utilização de recursos e estratégias pedagógicas que estimulem o interesse na aprendizagem, a preparação para o vestibular e a curiosidade.  

Atributos menos satisfatórios 
52,9% Faz uso de tecnologia em sala de aula.  
41,3% Promove visitas culturais.  
34,2% Cria projetos interdisciplinares, focados na vida.  
25,7% Dinamismo das aulas.  
25% Tem foco na preparação para vestibulares.  
21% Estimula a curiosidade do estudante.  

(Fonte: Repensar o Ensino Médio – Todos pela Educação, 2017.)  

Saiba mais! 
Para saber mais sobre a escola que os adolescentes e os jovens têm e a que eles querem, consulte também os materiais a seguir.  

Dicas Práticas – Multidimensionalidades

Dica 1 
- Discuta mais sobre o cérebro, o comportamento, o desenvolvimento físico e emocional de adolescentes e jovens nas reuniões de planejamento da escola. 
- Acesse pesquisas, consulte especialistas, troque ideias com os colegas sobre esse tema. 
- Coloque um mural ou uma caixa de sugestões na entrada da escola e peça aos estudantes para colocarem ali os nomes das séries que assistem, dos youtubers que seguem, dos livros que gostam de ler, dos sites e redes sociais que utilizam, além dos temas que gostam de discutir, entre muitas outras coisas que possam ajudar você, professor, a entender melhor esse universo. 

Dica 2 
- Dedique tempo a conhecer cada um dos seus estudantes: quais as suas características mais marcantes, seus interesses, as condições em que vivem, seus talentos e dificuldades, seus sonhos e receios. 
- Para ajudar, comece o ano letivo com uma semana de acolhimento, em que essas informações são levantadas por meio de atividades realizadas por cada um dos professores, ou divida os estudantes entre os vários adultos da escola, para que todos possam ser acompanhados mais de perto por um adulto de referência. 
- O conselho de classe também pode ser um ótimo espaço para trocar impressões e entender o que se passa com cada um deles, a partir dos olhares dos diversos professores. 

Dica 3 
- Não é tarefa fácil saber lidar com as mudanças de humor, as ações intempestivas, a eventual apatia e os questionamentos de adolescentes e jovens. Vale lembrar que o desenvolvimento intelectual deles se processa mais rápido do que o desenvolvimento emocional e por isso, muitas vezes, não conseguem controlar os seus impulsos, apesar de terem conhecimento sobre as consequências. 
- Para ajudá-los, não leve suas provocações para o lado pessoal. Cabe aos adultos manter a estabilidade do ambiente, ajudar os estudantes a pensar sobre suas atitudes e dar a chance para que aprendam com seus erros. 

Dica 4 
- A qualidade da relação com os professores e os demais profissionais da escola tem influência direta no comportamento e na aprendizagem dos estudantes. Adolescentes e jovens costumam se ressentir quando não são recebidos com um cumprimento, quando os adultos parecem não notá-los ou se importar com eles, quando se sentem invisíveis ou desrespeitados. 
- Ainda que seja quase impossível saber o nome de todo mundo ou parar para conversar com cada um deles, tente ser caloroso. 
- De vez em quando, abra espaço durante a aula para conversar sobre questões latentes. Procure saber o que está se passando com aqueles que apresentam comportamento diferente do normal. 
- Lembre-se, você pode fazer toda a diferença em um momento importante da vida desses garotos e garotas. 

Dica 5 
Costuma-se dizer que a escola tem a cara dos seus gestores e professores. Em última instância, os adolescentes e jovens olham para vocês em busca de exemplos a serem seguidos. 
Portanto, é importante que você pense sobre as suas atitudes e sobre as palavras que dirige aos seus estudantes. 
- Elas refletem aquilo que você quer que os seus alunos espelhem? 
- Você oferece atenção na mesma medida em que deseja atenção? 
- Dirige-se a eles no mesmo tom de voz com que gostaria que eles se dirigissem a você? 
- Interessa-se por eles e por seu trabalho diário do mesmo jeito que gostaria que eles se engajassem com você e com suas aulas? 
- Aprecia e confia neles como gostaria que eles gostassem e confiassem em você? 

Professores não precisam ser amigos dos estudantes, mas precisam demonstrar que veem sentido na sua profissão, assim como desejam que os estudantes vejam sentido na escola.

Fonte:

Conhecendo adolescentes e jovens na sua multidimensionalidade

Abertura: estudantes e professores  
Neste tema, vamos conhecer adolescentes e jovens na sua multidimensionalidade. Isso significa entender melhor características e mudanças que acontecem com eles nessa fase da vida, por meio das dimensões:  

Física e biológica  
Quais transformações acontecem no corpo, o que isso significa e os impactos no comportamento e na atitude na escola.  

Neurológica e cognitiva  
Como se dá o desenvolvimento cerebral e cognitivo nessa fase e as implicações disso.  

Sociocultural  
Questões relacionadas à inclusão, à diversidade, à desigualdade, influências, temas de interesse.  

Socioemocional  
As diferenças de tempo entre o desenvolvimento cognitivo e o emocional e as ações impulsivas.

Sobre a multidimensionalidade  
Para ampliar um pouco mais esse universo e nos localizar melhor nos conteúdos que serão mostrados nas próximas páginas deste curso, vamos apresentar a seguir algumas definições.  

O que significa adolescência?  
“Adolescere é uma palavra latina que significa crescer, desenvolver-se, tornar-se jovem.”  
Luisa Fernanda Habigzang, Eva Diniz, Sílvia H. Koller (2014) 

Mais que uma fase, a adolescência é um longo processo em que acontecem várias modificações físicas, psicológicas e sociais que podem se transformar em oportunidades para o desenvolvimento. Essa visão, ao superar o estigma que considera o adolescente como “aborrecente”, abre perspectivas construtivas sobre essa fase da vida.  
Segundo a pesquisa Adolescentes, realizada pelo Projeto Faz Sentido com adolescentes de 12 a 16 anos do Ensino Fundamental Anos Finais,  

“Hoje, no Brasil, a maioria dos estudos realizados sobre os jovens estão deslocando o olhar de uma adolescência definida como uma fase caracterizada por mudanças físicas e hormonais para uma concepção mais voltada às características sociais e econômicas. Esse deslocamento tira, inclusive, a sua ênfase por limitações etárias”.  

O que é ser jovem?  
Há uma série de fatores que influenciam na construção da juventude, mas todos eles estão relacionados especialmente a duas concepções complementares, definidas na pesquisa Juventudes e Ensino Médio, realizada pelo Projeto Faz Sentido:

Juventudes  
O plural, que indica a multiplicidade de formas de ser jovem e a transversalidade de fatores como gênero, orientação sexual, raça/etnia, classe social, assim como o território em que vivem os jovens ou as configurações comunitárias nas quais são socializados. Pensar em juventudes significa compreender, por exemplo, que os desafios da jovem negra, do jovem indígena, de jovens refugiadas, de jovens quilombolas, de jovens dos centros urbanos ou de áreas rurais podem ser muito diversos entre si.

Juventude  
O singular, que dialoga com essas diferentes formas de viver a juventude, mas que define uma espécie de experiência comum do que é ser jovem. É necessário levar em conta as particularidades da condição juvenil, o que permite que os jovens, ainda que diferentes, se identifiquem como tal.

Discussão sobre o tema  
Nascer para o mundo 
Segundo a psicanálise, o adolescente viveria uma Crise de Desestruturação e Reestruturação da Personalidade na Adolescência. A desestruturação é provocada pelas perdas com relação ao seu corpo, aos seus pais e ao seu papel sociocultural, experimentadas a partir da pré-adolescência; e o eixo central da reestruturação é o processo de elaboração dos LUTOS gerados pelas três perdas fundamentais desse período evolutivo.  

1. Perda do corpo infantil 
Muita ansiedade devido às transformações corporais a partir da puberdade. Reformulação de seus mundos interno e externo. Restrições familiares e sociais sem explicação e propósito chegam a causar retardo em seu crescimento e nas funções sexuais naturais próprias dessa fase.  

2. Perda dos pais da infância 
Os pais, antes idealizados e supervalorizados, passam a ser alvo de críticas e questionamentos. O adolescente busca figuras de identificação fora do âmbito familiar. Nesta fase, se caracteriza a dependência/independência dos filhos em relação aos pais e vice-versa; identidade familiar substituída pela individual.  

3. Perda da identidade e do papel socioemocional familiar 
Da relação de dependência natural segue-se uma confusão de papéis. Não é mais criança nem é ainda um adulto. Dificuldades em se definir na sua cultura. Anseia por independência, sente-se inseguro, temeroso, apoia-se no grupo, distancia-se dos pais permitindo novas identificações.  

(Fonte: Projeto Faz Sentido – Fundamental II – Adolescentes, p. 73. Disponível em: http://fazsentido.org.br/wp-content/uploads/2016/06/est_adolescentes_geral-1-1.pdf. Acesso em: 13 jun. 2019.)

Fases da adolescência
Fase inicial 10 a 14 anos 
1. Adolescência é ter mais maturidade e responsabilidades.  
2. Expectativa de ter mais liberdades e experimentar coisas que ainda não experimentou.  
3. Etapa da vergonha, mais proximidade com crianças. Adultos são seres estranhos.  
4. Mais resguardados pelos pais, que cobram e acompanham mais na escola.

Adolescência 
1. Se veem encrencados quando têm que ir para a diretoria.  
2. Mais casa e escola (amigos na escola); menos autonomia para saírem sozinhos.  
3. Adolescência é ter rebeldia e experimentar o máximo possível.  
4. Destemidos, não temem mais diretoria, professores ou pais. Já testaram muitos limites.  
5. Aceitam mais facilmente os limites, contestam menos.  
6. Quanto mais lúdicas as disciplinas, melhor (pintar, jogar, manusear, trabalho de campo).  
7. Já possuem mais autonomia e experiências, se deparando com algumas frustrações tanto com pessoas quanto com o mundo.  
8. Mais interações na rua e com os amigos e pares.

Fase final 14 a 19 anos 
1. Com identidade mais definida, estão mais à vontade entre os iguais.  
2. Muito questionadores, testam limites o tempo todo.  
3. Mais liberdades concedidas pelos pais, que passam a cobrar menos o desempenho escolar.  
4. Diminui interesse na escola, as disciplinas não fazem sentido.  

(Fonte: Projeto Faz Sentido – Fundamental II – Adolescentes, p. 74. Disponível em: http://fazsentido.org.br/wp-content/uploads/2016/06/est_adolescentes_geral-1-1.pdf. Acesso em: 13 jun. 2019.)

Fases da adolescência e desenvolvimento neurológico
Fase inicial: 10 a 14 anos 
1. É normalmente nessa fase que começam as mudanças físicas, geralmente marcadas por uma aceleração repentina do crescimento, seguida pelo desenvolvimento dos órgãos sexuais e das características sexuais secundárias.  
2. As células cerebrais podem praticamente duplicar o seu número no espaço de um ano, enquanto as redes neurais são radicalmente reorganizadas, causando um impacto sobre a capacidade emocional, física e mental.  
3. O início da adolescência também é caracterizado por mudanças internas profundas. O cérebro, por exemplo, passa por uma grande aceleração elétrica e fisiológica.  
4. O amadurecimento físico e sexual mais adiantado da menina, que, em média, entra na puberdade de 12 a 18 meses mais cedo do que o menino, reflete-se em tendências semelhantes no desenvolvimento cerebral.  

Adolescência 
1. O lobo frontal (parte do cérebro que governa o raciocínio e as tomadas de decisão) começa a se desenvolver durante a fase inicial da adolescência. Como esse desenvolvimento começa mais tarde e é mais prolongado nos meninos, sua tendência a agir de forma impulsiva e a pensar de forma acrítica permanece por mais tempo do que nas meninas.  
2. Nessa fase, as principais mudanças físicas já ocorreram, embora o corpo ainda se encontre em desenvolvimento. O cérebro continua a desenvolver-se e a reorganizar-se, e a capacidade de pensamento analítico e reflexivo é bastante ampliada.  
3. No início dessa fase, as opiniões dos membros do seu grupo ainda são importantes, mas essa influência diminui à medida que o adolescente adquire maior clareza e confiança em sua própria identidade e em suas opiniões.  
4. Esse fenômeno contribui para difundir a percepção generalizada de que as meninas amadurecem mais cedo do que os meninos.  

Fase final: 14 a 19 anos 
1. A atitude de enfrentar riscos diminui na fase final da adolescência, à medida que se desenvolve a capacidade de avaliar a situação e de tomar decisões conscientes.  
2. É durante essa fase que os adolescentes ingressam no mundo do trabalho ou avançam em sua educação, estabelecem sua identidade, sua visão de mundo e começam a participar ativamente na organização do espaço ao seu redor.  

(Fonte: Projeto Faz Sentido – Fundamental II – Adolescentes, p. 75. Disponível em: http://fazsentido.org.br/wp-content/uploads/2016/06/est_adolescentes_geral-1-1.pdf. Acesso em: 13 jun. 2019.)

A plasticidade do cérebro durante a adolescência 
Durante a adolescência, o cérebro é particularmente sensível às experiências e às trocas com o ambiente. Estudos recentes de neurociência mostram que o cérebro do adolescente passa por uma reorganização: conexões entre neurônios se desfazem para que surjam novas; e a forma como são estimulados pode favorecer que determinadas conexões sejam feitas, sejam elas positivas ou não. Essa reorganização ainda pode explicar certos comportamentos típicos da adolescência, como a busca por experiências intensas, que muitas vezes acontecem independente da vontade deles.  

Compreender as transformações pelas quais o cérebro do adolescente passa pode ajudar pais e educadores na forma como respondem e apoiam o desenvolvimento dele. Nesse sentido, três sistemas que sofrem grande plasticidade durante esse período podem explicar alguns comportamentos típicos.

Recompensa (prazer)  
A dopamina é uma substância que dentre diversas funções, é responsável por sinalizar experiências de prazer. É o aumento da dopamina que, por exemplo, nos faz desejar e ir atrás de determinadas coisas como dinheiro e sexo. Durante a adolescência o número de receptores dessa substância aumenta drasticamente, fazendo com que os adolescentes sejam muito mais responsivos e ativos na busca de atividades que os façam sentir prazer. Isso faz com que os estudantes do Fundamental II sejam mais sensíveis a esse estímulo. Educadores e pais devem saber que é mais fácil mudar o comportamento do adolescente o motivando para buscar uma recompensa do que ameaçando com punições. Infelizmente, isso os faz também mais suscetíveis ao álcool e às drogas, uma vez que as moléculas dessas substâncias se assemelham à da dopamina, elas se conectam aos receptores causando a mesma sensação de prazer.

Regulador  
Durante a puberdade, o sistema de autocontrole também passa por uma reorganização, e isso faz com que o adolescente esteja mais propenso ao comportamento de risco. Apesar de parecer irracional em alguns momentos, ele já consegue compreender e julgar, quase tão bem como os adultos, que determinadas ações podem ter sérias consequências. No entanto, devido às transformações no sistema regulador, os adolescentes têm a capacidade de controlar seus impulsos reduzida. A propensão pelas atividades arriscadas também se explica pela hipersensibilidade. As sensações de prazer são mais intensas devido ao aumento dos receptores de dopamina no cérebro. Por isso, eles têm dificuldade em adiar atividades que os tragam algum tipo de recompensa e prazer imediatos. De acordo com o neurocientista Laurence Steinberg, a capacidade de autorregulação talvez seja a característica mais importante para o sucesso social, realização e saúde mental. Por isso, pais e educadores devem ajudar os adolescentes a desenvolverem o controle sobre o que pensam e sentem. A escola deve ser um ambiente seguro que cria oportunidades para esse tipo de desenvolvimento.

Relacionamento (como interagimos com outras pessoas)  
O adolescente também está desenvolvendo seu cérebro social, e isso explica o fato de eles serem muito vulneráveis ao que outras pessoas pensam a seu respeito. Mais que em qualquer outro momento da vida, ele sofre muito ao ser rejeitado. Um adolescente tem, por exemplo, muito mais sensibilidade que um adulto para perceber emoções nas outras pessoas. Segundo Laurence Steinberg (2015), quando um adulto grita com um adolescente, esse adolescente provavelmente vai prestar mais atenção no grito ou na raiva que esse grito transmite do que nas palavras. Os adolescentes têm um comportamento especial quando estão na presença de seus pares. No livro Age of Opportunity, Steinberg destaca que adolescentes são mais propensos a ter comportamento de risco quando sabem que amigos estão por perto. Pais e educadores devem estar atentos e evitar momentos em que adolescentes estejam reunidos sem a mediação de um adulto.  

(Fonte: Projeto Faz Sentido – Fundamental II – Adolescentes, p. 24-25. Disponível em: http://fazsentido.org.br/wp-content/uploads/2016/06/est_adolescentes_geral-1-1.pdf. Acesso em: 13 jun. 2019.)

Juventude e políticas públicas 
1. Etapa problemática ou risco social 
Esta concepção vê o sujeito jovem a partir dos problemas que ameaçam a ordem social. Pauta-se nos comportamentos considerados de risco, como envolvimento com a violência, criminalidade e gravidez na adolescência. No Brasil, esse foi o enfoque predominante nas ações governamentais dos anos 1980 e 1990, que se concentraram em programas nas áreas da saúde e da segurança pública. Tais ações tinham como objetivo ocupar o tempo livre dos jovens e eram direcionadas para públicos com características de vulnerabilidade, risco ou transgressão (ABRAMO, 2005).  

2. Período preparatório 
Nesta abordagem, a juventude é entendida como um período de transição entre a infância e a vida adulta. Porém, esse modo de ver a juventude traz algumas implicações, uma vez que a transitoriedade tem como característica a indeterminação, isto é, os sujeitos jovens não são mais crianças, mas ainda não são adultos. Os jovens são, portanto, desqualificados e definidos pelo que não são. Esta abordagem desconsidera a juventude como portadora de conhecimentos e vivências anteriores. Além disso, passa a ideia de um mundo adulto estável, para o qual se deve preparar.  

3. Juventude: futuro do país 
Esta perspectiva deposita na juventude a resolução dos problemas de exclusão social e de desenvolvimento do país. Aposta em uma contribuição construtiva dos jovens para a solução dos problemas que afetam as comunidades em que vivem, porém ignora as suas necessidades e demandas. No Brasil, esse enfoque foi muito difundido nos anos 2000, por meio das agências de cooperação internacional, organismos multilaterais e fundações empresariais.  

(Fonte: Projeto Faz Sentido – Juventudes e Ensino Médio, p. 13. Disponível em: http://fazsentido.org.br/wp-content/uploads/2017/08/20190111_RelatorioEstudoJovem_Fazsentido.pdf. Acesso em: 13 jun. 2019.)

Construção da identidade 
Identidade é, sobretudo, uma construção, tanto do que se é quanto do que se quer ser.  
A criação da identidade enquanto processo particular envolve:  
- Reconhecer-se. 
- Coordenar as próprias ações. 
- Dar coerência à própria existência, descobrir propósitos e agir de acordo com eles. 

A identidade é construída a partir da relação que estabelecemos com os outros, isto é, só é possível reconhecer quem somos, quais são as nossas características, as nossas inclinações, à medida que interagimos com os nossos pares.  
Durante a juventude o processo de construção da identidade se intensifica. É nesse período da vida que os jovens experimentam o mundo social além das fronteiras familiares e precisam lidar, pela primeira vez, com as convocações sociais para que assumam a sua identidade.  
A todo momento os jovens são impelidos a lidar com novas e múltiplas convocações de identidade, sendo necessário elaborar, pela primeira vez, suas respostas para elas. Portanto, não existe uma identidade estável ou fixa, mas sim processos de “identificação e desidentificação”, que dão contornos às subjetividades de cada um ao longo da vida.  
Desse modo, eles podem se identificar com determinado grupo étnico-racial, religioso, com determinada orientação sexual e, com o avançar dos anos, construir novos pertencimentos, como identificar-se com outra comunidade religiosa. 
Ao longo desse processo de identificação e desidentificação os jovens fortalecem e sustentam suas capacidades de reconhecer-se enquanto sujeitos. É também durante a juventude que os jovens começam a ganhar maior autonomia em relação ao mundo dos adultos e cobra-se deles que tenham maior capacidade de autocontrole e autorregulação e que coordenem suas próprias ações. Porém a aquisição dessas capacidades ocorre por meio de um processo contínuo de aprendizagem que se dá ao longo da vida e que não tem fim, pois nunca se alcançará o ápice – isto é, o ponto no qual os sujeitos são capazes de controlar, regular e coordenar as suas ações de modo pleno e regulado.  

(Fonte: Projeto Faz Sentido – Juventudes e Ensino Médio, p. 31-32. Disponível em: http://fazsentido.org.br/wp-content/uploads/2017/08/20190111_RelatorioEstudoJovem_Fazsentido.pdf. Acesso em: 13 jun. 2019.)

Construção de identidade e contexto social 
A época, o espaço, as relações econômicas e sociais e tantos outros fatores da vida de cada jovem contribuem para que ele se entenda como indivíduo.  
A experiência de construir identidade e propósito quando se é uma jovem negra periférica é bastante diferente da experiência de um jovem branco de classe média, por exemplo. Além da desigualdade social e de gênero, as novas gerações podem experimentar mais angústia em relação a essa busca, uma vez que vivem em um momento de alta produção de informações e referências de todo tipo – que expõem um universo muitas vezes caótico e contraditório.  
Para o psicanalista Erik Erikson, rituais sociais que costumam marcar a entrada na idade adulta, como a escolha da área profissional no ensino escolar, facilitam a preparação para a conquista de novos papéis na sociedade. Por outro lado, um contexto social não estruturado pode levar a uma crise de identidade.  

A pressão social e estereótipos  
A falta de estrutura e as constantes mudanças no contexto histórico são desafios para o jovem do século XXI. Ao mesmo tempo, os estereótipos criados a seu respeito também não ajudam. Além dos estereótipos clássicos sobre raça/etnia, gênero, orientação sexual, juventude rebelde, existe outra ideia bastante reproduzida de que ser jovem é apenas uma preparação para ser adulto. Ao tratar essa fase como mera passagem, uma transição, é negado ao jovem o direito de viver plenamente o presente.  

Apoio e empatia  
Segundo Erikson, o processo de construção da identidade depende da confiança do jovem em si próprio e nas outras pessoas. O reconhecimento da sua personalidade pelos outros é peça-chave para a formação da identidade. Vale lembrar, no entanto, que identidade está sempre – e não só durante a juventude – em construção.  
É preciso romper com estigmas e mitos para ajudar os jovens a encontrar o que existe de mais verdadeiro em si mesmos. A partir disso, eles começarão a construir o seu projeto de vida.  

(Fonte: Projeto Faz Sentido – Juventudes e Ensino Médio, p. 36-38. Disponível em: http://fazsentido.org.br/wp-content/uploads/2017/08/20190111_RelatorioEstudoJovem_Fazsentido.pdf. Acesso em: 13 jun. 2019.)

Ampliação das relações sociais 
A juventude é uma fase de ampliação das relações sociais além dos limites da escola e da família. Esses dois espaços continuam sendo referências importantes, mas são complementados por outros, como comunidades religiosas e grupos reunidos por temas de interesse, como práticas artísticas, práticas esportivas e movimentos sociais de causa.  
É uma fase em que a busca por aprovação dos seus semelhantes (outros jovens) é essencial.  

O que diz a neurociência?  
É por razões evolutivas que os jovens costumam dedicar mais tempo aos seus colegas e menos aos pais e outras figuras de autoridade, como professores. Como outros jovens serão seus companheiros de fato na maturidade, a natureza incluiu no cérebro jovem uma propensão por buscar amigos, relacionar-se com parceiros e participar de grupos dos seus pares como preparação para a vida adulta. (Fonte: ARMSTRONG, 2016)  
Mas os adultos também são referência muitas vezes. A tendência de estar mais próximo dos colegas não quer dizer que as relações com adultos não são importantes. Em algumas situações, as opiniões de adultos de referência podem inclusive ser consideradas mais confiáveis do que as de outros jovens.  

(Fonte: Projeto Faz Sentido – Juventudes e Ensino Médio, p. 101-102. Disponível em: http://fazsentido.org.br/wp-content/uploads/2017/08/20190111_RelatorioEstudoJovem_Fazsentido.pdf. Acesso em: 13 jun. 2019.)

Relações afetivas 
A adolescência é um período marcado pela aproximação aos pares e, de acordo com a psicologia, construir relações de amizade saudáveis e positivas é fundamental para o desenvolvimento afetivo e de habilidades sociais na adolescência, além de sedimentar as bases para os relacionamentos na vida adulta. Um dos motivos dessa aproximação entre amigos seria a busca por suporte e acolhimento na luta contra a angústia e a solidão típicas da fase. 
É nesta fase que tendem a ocorrer as primeiras relações amorosas. Os adolescentes vivem com intensidade a novidade dessas paixões, bem como suas possíveis desilusões e consequências.  

(Fonte: Projeto Faz Sentido – Fundamental II – Adolescentes, p. 105-106. Disponível em: http://fazsentido.org.br/wp-content/uploads/2016/06/est_adolescentes_geral-1-1.pdf. Acesso em: 13 jun. 2019.)

Desenvolvimento físico 
No campo sexual, a adolescência começa na puberdade, período de rápido crescimento físico e iniciação da maturidade sexual, que termina quando o indivíduo se torna capaz de se reproduzir. Como colocamos na introdução, é também durante esse período que os sistemas de regulação e recompensa se reorganizam, fazendo com que os adolescentes estejam sempre em busca de experiências que tragam prazer. Porém, por terem uma baixa capacidade de autorregulação, acabam se colocando constantemente em situações de risco (sexo sem proteção).  
De acordo com o neurocientista Lawrence Steinberg em seu livro Age of Opportunity, a maior parte dos programas de educação sexual foca em levar conhecimento para os adolescentes, não em mudar seu discernimento. Infelizmente, informação não é suficiente para impedir o comportamento de risco. Os programas seriam mais eficientes se, além de informar, ajudassem os adolescentes a desenvolver sua capacidade de autorregulação e a reduzir o comportamento de risco (nesse caso, transar sem proteção).  

(Fonte: Projeto Faz Sentido – Fundamental II – Adolescentes, p. 87. Disponível em: http://fazsentido.org.br/wp-content/uploads/2016/06/est_adolescentes_geral-1-1.pdf. Acesso em: 13 jun. 2019.)

Saiba mais 
Para saber mais sobre adolescentes e jovens no Brasil, acesse a íntegra do estudo a seguir, disponibilizado no site do Projeto Faz Sentido.  

Formação Básica: Tecnologia

Curso de Formação básica 
Agora é hora de se preparar! 
Veja as informações gerais deste curso.  
Com carga horária de 30 horas, o curso Formação básica: Tecnologia está estruturado em quatro módulos:  
Módulo 1: Adolescências e juventudes – módulo comum aos cursos Formação básica: Eletivas e Formação básica: Projeto de Vida 
Módulo 2: O componente Tecnologia 
Módulo 3: Práticas e metodologias para o uso de tecnologias 
Módulo 4: Conhecendo o cenário sobre o uso de tecnologia na escola 

Trata-se do primeiro passo de um processo mais amplo de formação que continuará nos próximos meses, inclusive com curso de aprofundamento sobre Tecnologia. Neste momento, a proposta é que você compreenda o que é o componente Tecnologia. Ao longo deste curso, você vai entender mais sobre como funciona na prática e o que embasa a sua criação. Em breve, na formação de aprofundamento, você saberá ainda mais detalhes sobre os conteúdos, materiais de apoio e ferramentas de avaliação.  

Objetivos de aprendizagem 
Discutir os desafios da escola no mundo contemporâneo, relacionados aos temas das adolescências e juventudes. 
Apresentar o componente curricular Tecnologia, no âmbito do programa Inova Educação. 
Inspirar professores a utilizar recursos digitais por meio de metodologias que potencializem o ensino e a aprendizagem de forma inovadora. 
Promover a reflexão e o engajamento ético e significativo do uso da Tecnologia no dia a dia. 
Apresentar um cenário sobre o uso de tecnologia na escola.

Fonte:

Programa Inova Educação

O programa visa a tornar a escola mais conectada com os sonhos e as atuais necessidades dos adolescentes e jovens e a apoiar os estudantes a desenvolver competências voltadas para o século 21. Ele traz inovações para que as atividades educacionais sejam mais alinhadas às vocações, aos desejos e à realidades de cada um. E com isso:  
promove desenvolvimento intelectual, emocional, social e cultural dos estudantes; 
reduz a evasão escolar; 
melhora o clima nas escolas; 
fortalece a ação dos professores; 
cria novos vínculos com os estudantes.

O Programa Inova 
O Programa Inova coloca os estudantes no centro do processo de aprendizagem, promovendo seu engajamento e protagonismo! Todas as inovações do Programa têm como referência marcos legais importantes, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as Diretrizes Nacionais do Novo Ensino Médio e o Currículo Paulista (etapa do Ensino Fundamental em aprovação no Conselho Estadual de Educação e do Ensino Médio).

E qual é a grande inovação que esse projeto traz para as escolas?  
Todos os estudantes do Ensino Fundamental Anos Finais e do Ensino Médio terão três novos componentes no currículo:   

Projeto de vida  
Atividades e oficinas que apoiam o planejamento da vida escolar e pós-escolar, com destaque à gestão do tempo, à organização pessoal, ao compromisso com a comunidade e à construção de perspectivas para o futuro.   

Eletivas  
Aulas escolhidas a cada semestre pelos estudantes a partir de um cardápio ofertado pela escola, adequado às possibilidades de oferta dos professores de cada unidade de ensino.   

Tecnologia  
Conceitos básicos nos eixos de cultura digital, pensamento computacional, cidadania digital e mundo digital para ensinar os estudantes a usar e a criar tecnologias do século 21 em seus próprios projetos.

COMPONENTES DO PROGRAMA

Projeto de Vida 
Aulas com atividades e oficinas que apoiam o estudante no planejamento na escola e do seu futuro. Auxiliam os estudantes a desenvolverem a gestão do próprio tempo, a organização pessoal, compromisso com a comunidade e perspectivas para o futuro.

Eletivas 
Estudantes escolhem, a cada semestre as aulas para cursar, a partir do ofertado pela escola.

Tecnologia 
Aulas para aprender a usar e criar tecnologias do Século 21 para criar seus próprios projetos.

Grade Horária 
Você vai encontrar informações para organizar a grade horária na nova matriz curricular.

Fonte: